O fenómeno das Rich Internet Applications
É inegável… vivemos a era da informação. A expansão vertigionosa da Internet e a evolução das comunicações mudou drasticamente a nossa forma de viver, de fazer negócios, de pagar as contas, ou até de coisas simples, como ligar remotamente o aquecimento central da nossa casa.
O próprio mercado do software, como se poderia esperar, também é alvo desta evolução.
Inicialmente, os programas informáticos eram desenhados para correr sobretudo localmente; mais tarde começaram a tornar-se mais habituais as aplicações distribuídas para funcionamento em redes de computadores através de complexos protocolos, sendo que estas ainda hoje predominam em quantidade.
Com a evolução dos web-browsers, e a simplicidade/potencialidade do protocolo HTTP, aliada à disseminação das linguagens de desenvolvimento web (PHP, ASP, JSP, etc), o mercado do software sofreu outra reviravolta tornando-se banal o desenvolvimento das aplicações web.
As aplicações Web
As aplicações web são, pela sua própria natureza, distribuídas. Funcionam sobre o protocolo HTTP, sendo apenas necessário um web-browser e possivelmente algum plugin que normalmente já vem instalado de origem – sendo por isso, um exemplo excelente de thin clients. Se disponibilizadas na Internet, podem ser acedidas de qualquer parte do mundo, através de qualquer computador com um web-browser.
Hoje em dia, todos nós utilizamos aplicações web com alguma frequência e naturalidade, por exemplo, quando utilizamos o webmail (Google Mail, p. ex.).
Rich Internet Applications
As Rich Internet Applications (RIAs) são aplicações web com algumas particularidades especiais, nomeadamente o facto de disponibilizarem um interface e funcionalidades características das aplicações desktop. Nas RIAs não existe normalmente a necessidade de refrescar a página sempre que é feita uma comunicação com o servidor, e há uma preocupação especial com a ‘usabilidade‘ na medida em que se objectiva disponibilizar um interface o tão simples e intuitivo quanto possível, com vista à satisfação do utilizador e qualidade até no mais pequeno pormenor.
Além da usabilidade, é ainda interessante constatar que é comum aliar ao desenvolvimento das RIAs a aplicação de inovadoras metodologias de programação e gestão de projectos, como Agile Software Development, Extreme (XP) Programming, e ainda o recurso constante a boas práticas de desenvolvimento, como padrões de desenho.
Obter esta simbíose – a união da qualidade gráfica com a qualidade funcional da aplicação – só pode ser possível unindo na mesma equipa designers (”Interaction Engineers”) e Engenheiros de Software.
Pode-se então dizer que as RIAs são uma mistura entre as aplicações web e as desktop, oferecendo o melhor de ambas aliando isto às potencialidades das actuais redes de comunicação.
Existem algumas tecnologias para desenvolver RIAs, sendo que as mais recentes e habituais são baseadas em AJAX e Flash/Flex.
Devido ao seu interface cuidado e ao facto de correrem no web-browser, é por vezes complicado distinguir uma RIA de um website. Para conhecer alguns exemplos de RIAs pode consultar o showcase.
As RIAs são um fenómeno recente (cerca de 2/3 anos), e representam uma autêntica revolução. No estrangeiro começa-se a dar cada vez mais ênfase ao desenvolvimento deste tipo de aplicação – tanto para o público em geral (Google Maps, pequeno widgets, etc), como no sector empresarial onde as RIAs podem representar uma vantagem competitiva, por exemplo em sistemas B2C, B2B ou mesmo G2C.
Em Portugal o desenvolvimento de RIAs é ainda escasso, tanto que cá o próprio termo é ainda praticamente desconhecido. Não queremos ficar para trás do resto do mundo, e como tal estamos a unir todos os ”developers” interessados para criarmos uma comunidade forte, coesa e de qualidade!
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